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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Baço e Pâncreas

Esta semana escrevo sobre a Transformação Solo ou Terra, que dum ponto de vista orgânico representa as funções do Baço, do Pâncreas, do Estômago e do Sistema Linfático.

O estágio energético Solo é mais estável e "terreno" e está associado com fertilidade, maternidade, relações sociais, compaixão, substância, entre muitas outras qualidades. Solo rege também as qualidades consideradas mais femininas, e em particular a sexualidade feminina.



Para os chineses, os atributos acima mencionados estão intimamente ligados com um funcionamento adequado dos órgãos yang, Baço e Pâncreas (na realidade, os chineses não fizeram tradicionalmente a distinção entre estes dois órgãos).

Evidentemente, a energia Solo rege também as funções fisiológicas dos órgãos respectivos - digestão e absorção, controle do metabolismo de açúcar, funções linfáticas como produção de linfócitos e outras. Problemas como diabetes, hipoglicemia, distúrbios de estômago, alergias, doenças auto-imunes, estão todos ligados a uma deficiência nestes órgãos e sistemas.

Na realidade, na minha opinião, a maioria dos problemas de saúde modernos como uma imunidade deficitária, as doenças auto-imunes ou as doenças sexualmente transmissíveis, denotam disfunções na Energia Solo. Os desequilíbrios nesta fase energética não são, regra geral, tão directa e facilmente identificáveis como os problemas de fígado ou coração, ou rins ou outros, mas assumem com frequência um aspecto de síndroma.



O Baço, o Pâncreas, o Estômago e o Sistema Linfático começam a ser muito mais afectados na sociedade moderna pela proliferação de "fast food", consumo excessivo de lacticínios e açúcar, assim como por uma vida muito afastada dos elementos naturais.

Dum ponto de vista alimentar o que especificamente mais deteriora estes órgãos são o açúcar assim como todos os açúcares simples e edulcorantes artificiais (é conhecido o efeito maléfico dos açúcares no funcionamento do pâncreas), o uso de lacticínios (o leite e o iogurte tendem a sobrecarregar mais o Baço, enquanto que o queijo, especialmente o queijo duro, afecta mais as funções pancreáticas), alimentos refinados como pão branco, arroz branco, etc., comida pesada e com muitos molhos e também farinhas cozinhadas no forno como pão, bolachas, biscoitos que contribuem para hipoglicemia (níveis de açúcar baixos).

Um estilo de vida muito afastado da Natureza e dos elementos naturais afecta também a imunidade. O uso excessivo de material eléctrico e electrónico, roupa sintética em contacto directo com o corpo, telemóveis, betão armado, ar condicionado, etc., contribuem para baixar a nossa imunidade natural e consequentemente taxar os órgãos de limpeza e adaptação - os Órgãos Solo.

Para tratar insuficiências do Baço, Pâncreas e Estômago é importante ter uma alimentação e um estilo de vida tão naturais quanto possível, evitando ao máximo produtos químicos e sintéticos.
Especificamente, pode tentar as seguintes sugestões:

Cereais - o melhor cereal para estes problemas é o Millet. O Millet ou milho painço é um cereal desconhecido da maioria das pessoas em Portugal mas foi o alimento principal de muitos países africanos e um alimento comum em muitos países europeus. É extremamente saboroso e versátil e pode ser confeccionado com vegetais, em sopas, com feijões.

Vegetais - os vegetais redondos e doces ou adocicados como a abóbora, a couve lombarda, a cebola, o nabo, os brócolos, a couve-flor fortalecem os órgãos Solo e devem ser utilizados regularmente. Kuzu, uma raiz selvagem muito utilizada em países orientais é particularmente boa para problemas no baço e Sistema Linfático.

Condimentos e sabores - o sabor doce em excesso ou de má qualidade afecta estes órgãos, enquanto que pequena quantidade de sabor doce os nutre. Para além dos vegetais doces mencionados acima, utilize pequena quantidade de adoçantes como malte de cevada ou malte de arroz e use com regularidade temperos agridoces.

Algas - as algas, pelo seu elevado teor em minerais são importantíssimas para o tratamento de problemas de Solo. Muitos dos desequilíbrios mencionados estão associados a uma desmineralização e acidificação do sistema, pelo que o uso regular de algas pode em muito contribuir para uma recuperação mais rápida.

Métodos culinários - preparações como estufados, em que os ingredientes são cortados em pedaços grandes e cozinhados lentamente até que fiquem com uma textura rica, suculenta e adocicada são as mais indicadas para reforçar o Baço.

Clima - os chineses consideram que o Baço é afectado pela humidade, pelo que se devem evitar ambientes demasiado húmidos e frios. O uso de um desumidificador em casa pode ser aconselhável em determinados casos.

Actividade física - actividade vigorosa é um dos termos chave para tratar alergias, em especial se actividade for ao ar livre e num meio natural. Esfregar todos os dias o corpo com uma toalha quente e húmida deve ser realizado todos os dias, pelo menos uma vez por dia.
No próximo artigo escreverei sobre as relações dos órgãos Solo no comportamento e emoções.

por Francisco Varatojo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

VEGETAIS 2.ª parte

No último artigo mencionei a importância de comermos regularmente e a todas as refeições vegetais, alimentos essenciais para a manutenção e recuperação da saúde, dado o seu teor em hidratos de carbono complexos, fibra e vitaminas.




Passo agora a mencionar as qualidades de alguns dos principais legumes utilizados em Portugal, de forma a poder tirar um melhor partido destes maravilhosos alimentos. Lembre-se de que deve variar os métodos culinários para que a alimentação não se torne monótona e possa aproveitar ao máximo as propriedades de cada um deles.

Os vegetais podem ser cozinhados no vapor, cozidos, escaldados, cozinhados sem água, salteados de uma forma rápida, salteados de uma forma lenta, estufados, assados, comidos sob a forma de salada crua, salada prensada, sob a forma de "pickles": Não devem de uma forma geral ser cozinhados na pressão, a não ser que sejam combinados com alimentos como leguminosas ou cereais.

Cenouras

São um dos vegetais mais ricos e saborosos de que dispomos - as cenouras são antidiarreicas, remineralizantes e diuréticas.
Como diziam as avós, são também boas para os olhos uma vez que possuem uma grande quantidade de betacaroteno (ou provitamina A) que desempenha funções essenciais no mecanismo da visão.
Para além disso, ajudam a combater casos de anemia, infecções de bexiga e de cálculos renais ou biliares; acalmam também as dores de estômago e o excesso de acidez estomacal.
A cenoura pode ser utilizada em pratos de vegetais, sopas, crua (neste caso, é mais digerível se for ralada), em sumos ou em chás.

Agrião

Estimula o apetite, activa o metabolismo; favorece a expectoração e descongestiona o aparelho respiratório.
Na Medicina Chinesa o agrião era considerado com um excelente tónico para o fígado e pulmões.
É preferível consumi-lo levemente cozinhado (1/2 a 1 minuto) do que cru, em particular se o agrião não for de origem biológica (cultivado sem produtos químicos).

Rabanete

O rabanete é um excelente descongestionante do fígado e da vesícula; para além disso é um vegetal valioso no caso de afecções respiratórias e particularmente benéfico no tratamento da sinusite.
Pode utilizá-lo ralado (óptimo para ajudar a dissolver gordura e portanto aconselhado em conjunto com alimentos mais oleosos como fritos) ou cozinhado. De manhã, em jejum, desintoxica e descongestiona o fígado.

Cebolas

As cebolas cozinhadas são muito boas para acalmar o sistema nervoso (em casos de nervosismo, irritabilidade, etc.); ajudam também a aliviar as dores musculares, sendo portanto apropriadas para pessoas que desenvolvem um trabalho físico intenso.
O chá preparado a parir das cascas de cebola fervidas é excelente para tosses, particularmente em crianças.

Couve lombarda

Quando levemente escaldada é um óptimo tónico para abrir o apetite.
Tem também acções benéficas sobre o estômago e pâncreas, sendo particularmente indicada para casos de diabetes ou hipoglicemia.

Alho

Comido cru, funciona como vermífugo (elimina parasitas intestinais) e aumenta a vitalidade. Pessoas com um comportamento muito irritável ou instável devem utilizar alho muito ocasionalmente, pois este tende a aumentar estas tendências; nessas situações deve apenas ser utilizado como condimento, e preferivelmente cozinhado.
Cru ou cozinhado, tem sido reconhecido ao alho, desde a Antiguidade, tanto no Ocidente como no Oriente, uma série de propriedades medicinais bastante extensas das quais cito:
Qualidades hipotensoras: o alho provoca uma baixa da tensão arterial, devido aos seus efeitos vasodilatadores.
Fluidifica o sangue: O alho é um antiagregante plaquetário, tornando o sangue mais fluido, sendo portanto indicado para todas as pessoas com tendência para problemas cardiovasculares. Diminui também os níveis de colesterol no sangue, particularmente o LDL (chamado de mau colesterol).
Efeitos hipoglicemiantes: Normaliza os níveis de açúcar no sangue, sendo um excelente preventivo para a diabetes e um bom tratamento para a mesma.
Qualidades antibióticas anti-sépticas: Após muitos estudos realizados, sabe-se que o alho desempenha funções antibióticas importantes, em especial na presença de organismos como: "escherichia coli", "salmonela typhi", "shigella dysenteriae", estafilococos e estreptococos, diversos fungos e leveduras.
Desintoxicante e descongestionante do fígado: Em pequenas quantidades, tem efeitos benéficos sobre o fígado.

Abóbora

Tal como a cenoura ( e vegetais como a beterraba, a couve de bruxelas, a salsa, acelgas, espinafre) a abóbora fornece betacaroteno, uma substância que se converte em vitamina A no organismo; para além disso é um dos legumes com mais hidratos de carbono complexos, sendo ideal para pessoas que necessitem de despender muito esforço físico. Os orientais usam há séculos a abóbora para tratar problemas de estômago, pâncreas, baço e sistema linfático.

Pepino

Um vegetal a ser usado mais no Verão, o pepino é benéfico para alguns problemas de estômago e é um bom diurético. O sumo de pepino tem sido tradicionalmente utilizado para tratar borbulhas (aplicado localmente).
Deixo-lhe de seguida uma bebida preparada a partir de vegetais, que é particularmente benéfica para tratar a hipoglicemia (níveis de açúcar baixos, uma condição que afecta um grande número de pessoas); pode beber este caldo sempre que se sinta cansado, tonto, irritado, com desejo de doces, ansioso, com sono excessivo ou deprimido - sintomas que na maioria dos casos revelam uma condição hipoglicémica

Caldo de Vegetais Doces

Ingredientes:
½ chávena de cebolas
½ chávena de cenouras
½ chávena de couve lombarda
½ chávena de abóbora
4 - 6 chávenas de água da fonte
Preparação:
Corte em pedaços pequenos cenouras, cebolas, abóbora e couve.
Ponha a água a ferver.
Adicione os vegetais à água a ferver e cozinhe durante 2 a 3 minutos.
Reduza a chama para o mínimo, tape e ferva em chama baixa durante cerca de 20 minutos.
Coe os vegetais.
Beba morno ou quente.
Pode guardar este caldo no frigorífico mas é preferível reaquecê-lo antes de o beber.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

VEGETAIS

Quantas vezes ouviu dizer que comer vegetais é muito importante para uma boa saúde? E segue este bom conselho ou não?


Bem, na minha prática diária de consultor alimentar numa grande cidade como Lisboa sempre que menciono a importância dos vegetais a maioria das pessoas responde -"vegetais como todos os dias na sopa e também costumo comer salada de alface"; os mais jovens arriscam: "bem, costumo comer batatas fritas (quase sempre de pacote) e salada de tomate, às vezes ketchup". Em contrapartida, quando viajo pela província, "couves, nabos, cenouras" são ainda para muitos sinónimo de alimento diário, muitas vezes cultivado num pequeno jardim, contíguo à casa onde habitam.

A verdade é que o hábito de comer legumes diariamente e a cada refeição vem-se perdendo cada vez mais, ao mesmo tempo que um número crescente de estudos científicos enfatiza a importância destes alimentos na prevenção e mesmo terapia da maioria das doenças degenerativas modernas.

Nos últimos dois artigos escrevi sobre a importância dos cereais integrais e expliquei que os mesmos foram a base alimentar de todos os povos do planeta; bem, os vegetais sempre acompanharam os cereais e foram utilizados como alimento secundário (não que secundário signifique de menor importância, mas tão só ingeridos em menor quantidade, por razões climáticas, geográficas e outras).
Devemos utilizar no prato os mais diversos legumes e no caso concreto de Portugal temos uma extraordinária variedade à nossa disposição: cenouras, cebolas, nabos, rabanetes, rábanos, couve-flor, brócolos, abóbora, couve lombarda, nabiças, grelos, couve portuguesa e tantos outros preciosos legumes que fizeram parte integrante da nossa culinária durante séculos.



Os vegetais que actualmente são mais utilizados, o tomate e a batata, não são oriundos do nosso clima e se comidos em grande quantidade podem contribuir para alguns problemas como artrite, doenças de pele, problemas digestivos, problemas renais. Os tomates, as batatas, mas também os pimentos (verdes e vermelhos), beringela, pimenta, pertencem à famílias das solanáceas e são relativamente tóxicos, o que vem sendo confirmado por cada vez mais estudos; o Dr. Norman Childers no seu livro "Nightshades and Health" (As Solanáceas e a Saúde) reporta que o consumo regular de tomates, batatas e beringela é a causa primária de artrite e que em muitos pacientes que sofrem desta incapacitante doença quando se retiram estes alimentos da alimentação diária os sintomas de artrite desaparecem em poucas semanas.

Assim sendo, sugiro-lhe que reduza o consumo destes vegetais e que os utilize apenas em situações especiais; se tiver problemas sérios de saúde, o melhor é talvez eliminá-los completamente do seu regime alimentar durante algum tempo.

Quanto a todos os outros, comece já hoje a encher o seu prato com eles: não só a refeição ficará muito mais colorida, como ainda mais importante, isso lhe trará enormes benefícios à sua saúde.
Para tirar um maior benefício dos legumes aqui vão alguns conselhos importantes:
  1. Sempre que possível compre vegetais de origem biológica (cultivados sem produtos químicos) ou adquira-os em mercados pequenos, evitando de uma forma geral os vegetais de supermercado. A quantidade de pesticidas e herbicidas utilizados nos legumes modernos é assustadora e prejudica seriamente a saúde humana e a dos solos, contribuindo para um grande número de problemas ecológicos. Sabia que em apenas quarenta anos a contagem de espermatozóides em estudantes universitários baixou cerca de 40% e que muitos estudos apontam como causa directa para esta situação o uso de produtos químicos na agricultura moderna?
  2. Não retire a casca a legumes como a cenoura, nabo, rabanete, etc. : lave-os com uma escova de vegetais disponível no mercado de produtos naturais; quanto a vegetais como o agrião, a alface, couves, não os deixe dentro de água para os lavar mas passe-os somente rapidamente por água fria.
  3. Corte os vegetais de formas diferente e artísticas: consulte livros de cozinha especializados ou melhor ainda, frequente aulas de cozinha de forma a aprender estilos de corte lindíssimos que enriquecem grandemente o aspecto estético da refeição e melhoram também a digestão e absorção dos alimentos.
  4. Em todas as refeições, utilize legumes bem cozinhados e outros levemente cozinhados; os vegetais mais cozinhados fornecem energia e vitalidade enquanto que os levemente cozinhados fornecem frescura e ajudam a adquirir flexibilidade - neste caso não os cozinhe mais do que um minuto, de forma a que eles mantenham uma cor viva e um aspecto estaladiço. Um mau hábito existente em Portugal é de cozinhar excessivamente os vegetais, de forma a que eles percam todo o brilho e fiquem desprovidos de vitamina C.
  5. Coma uma boa variedade de vegetais de raiz - cenouras, nabos, rábanos, bardana, rabanete, vegetais redondos - abóbora, brócolos, couve-flor, couve lombarda, e vegetais de folha - grelos, couve portuguesa, agriões, nabiças. Os vegetais de raiz fornecem vitalidade e melhoram o funcionamento dos órgãos inferiores do corpo como os intestinos ou os órgãos reprodutores, os vegetais redondos tornam-nos mais calmos e beneficiam órgãos como o estômago, o baço ou o pâncreas e os vegetais de folha fornecem frescura e flexibilidade e activam os pulmões, coração e fígado.



Bem, espero que este meu artigo o inspire para começar a cozinhar estes fantásticos alimentos todos os dias; no próximo artigo escreverei sobre os principais vegetais disponíveis e as suas propriedades.


Por Francisco Varatojo

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cereais!

Vou falar sobre o que devemos comer, quais os melhores alimentos para a criação duma vida mais saudável. Cada vez mais tomamos consciência que comer de uma forma adequada é vital para a prevenção e recuperação de muitas das doenças modernas, a aumentarem assustadoramente nestas últimas décadas; no entanto, existe uma enorme confusão sobre o que significa uma boa alimentação: devemos ser Vegetarianos, Macrobióticos, Vegans, Omnívoros, Frugíveros, ingerir cápsulas de suplementos?


A quantidade de livros existentes sobre teorias alimentares é enorme e cada uma das teorias justifica cientificamente premissas em muitos casos completamente contraditórias uma das outras. Este assunto em si mesmo justifica na realidade um artigo futuro, mas a maioria das "escolas" alimentares e nutricionais parece estar de acordo em relação a um ponto: é essencial consumir diariamente cereais, particularmente sob a sua forma integral ou semi-refinada.

Recentemente nos Estados Unidos, o governo americano decretou que as embalagens de cereais integrais devem ter um rótulo onde se explicam as vantagens destes alimentos e onde se indica que eles são preventivos de doenças como cancro, doenças cardiovasculares, diabetes, entre outras. Acho isto fantástico e considero que existe um tremendo avanço nas recomendações nutricionais actuais; no entanto, à medida que a população assume consciência da importância destes alimentos, as firmas produtoras de alimentos começam a comercializar todo o tipo de produtos com cereais, mas onde em muitos casos a sua qualidade é duvidosa e os cereais são acompanhados de enormes quantidades de açúcar, lacticínios e outros alimentos que provocam muitas das doenças que os cereais supostamente previnem.

O consumo de cereais não significa, para min, o uso de papas para o pequeno almoço produzidas a partir de alimentos refinados, ou a adição de farelo a sopas ou qualquer outra combinação ou mistura mais ou menos esquisita ou sofisticada. Ingerir cereais todos os dias implica consumirmos produtos como arroz, massas, cuscus, pão, cevada, centeio, maçarocas de milho, flocos de aveia e muitos outros, em especial sob a sua forma integral.



A Humanidade evoluiu com os cereais e não existe nenhuma cultura civilizada que não tenha utilizado os cereais como alimento principal: na Europa o trigo, a cevada, o centeio, o milho, em África o millet e o arroz, no Oriente o arroz, na América Latina o milho.

A nossa estrutura biológica, e particularmente a estrutura dentária e intestinal mostram que os cereais são o alimento por excelência da espécie humana: temos 32 dentes, dos quais 20 são molares (concebidos para moer grãos), 8 são incisivos (para cortar fibra vegetal) e 4 são caninos (para cortar fibra animal); os nossos intestinos são relativamente longos, muito maiores do que os intestinos de um animal carnívoro e mais pequenos do que um herbívoro e têm uma estrutura adequada para digerir particularmente a fibra dos cereais.

Os cereais integrais fornecem ao organismo uma nutrição adequada e recentemente descobriu-se que contêm serotonina, uma substância que acalma significativamente o sistema nervoso. Também, os açucares presentes nestes alimentos são açúcares polissacarídeos, ou açúcares complexos, compostos por várias moléculas, que se desdobram lentamente no organismo e são absorvidos nos intestinos, fornecendo uma energia gradual e dando uma resistência enorme; quando comemos regularmente cereais conseguimos manter níveis de energia e vitalidade regulares e sentimo-nos muito menos cansados.

Infelizmente, e em particular desde a II Guerra Mundial o consumo destes alimentos decresceu de uma forma muito acentuada; não apenas isso, mas a qualidade dos cereais modernos é francamente má e a maioria das pessoas acaba por comer apenas pão branco, completamente desprovido de vitaminas importantes do complexo B e de proteínas, ou arroz ou massas refinadas, também deficitárias nos mesmos nutrientes.

A título de exemplo e de acordo com o livro "The Changing American Diet" publicado pelo "Center for Science in the Public Interest", em 1910 os cereais forneciam "per capita" cerca de 38% do aporte calórico diário, em 1976 cerca de 19% e neste momento muito menos do que isso. O significado destes números em termos de saúde pública, é para mim assustador: significa que deixámos de comer os alimentos mais importantes para a manutenção física da nossa existência e para a nossa evolução intelectual, emocional e espiritual.

Assim sendo, caros leitores e leitoras, sugiro-lhes que comecem hoje a incluir cereais integrais ou semi-integrais a todas as refeições. Ou pelo menos cereais, mesmo que nalguns casos sejam refinados; quando for comer fora, peça sempre para acompanhar o prato com arroz ou massas, ou pão saloio, ou uma qualquer outra forma destes extraordinários alimentos, que algumas culturas chegaram mesmo a deificar. Quando cozinhar em casa, comece a habituar-se ao sabor e textura dos cereais integrais: verá que não se arrepende e que os efeitos se começarão a fazer sentir no seu bem-estar e vitalidade.

No próximo artigo escreverei detalhadamente sobre cada um dos cereais e como os utilizar.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

SONO




Dormir bem é um dos factores mais importantes para a manutenção e recuperação da saúde e bem-estar; na realidade, é em primeiro lugar uma das consequências de uma boa saúde.

Um bom sono manifesta-se por sermos capazes de adormecer poucos minutos depois de nos deitarmos, dormirmos de forma profunda sem pesadelos, sonos vagos e cansativos ou necessidade de nos levantarmos para ir à casa de banho e acordarmos à hora necessária, refeitos e com disposição para aceitar os desafios e alegrias de mais um dia. 6 a 8 horas de sono devem ser suficientes para adultos.

Se conseguirmos dormir assim somos uns felizardos; isto, porque se estima que a maioria das pessoas na sociedade moderna tem distúrbios mais ou menos graves de sono.
Melhorar a qualidade do sono não é necessariamente difícil se tiver em conta algumas considerações:

•Vá para a cama até à meia-noite - o sono é muito mais profundo e reparador, para além de que as glândulas supra-renais, a vesícula e o fígado beneficiarão imenso com o facto.

•Durma na maior escuridão possível - o ritmo circadiano da glândula pineal e a produção de melatonina e serotonina são negativamente afectados pela presença de luz durante o sono. Se tiver que se levantar durante a noite tente acender o mínimo de luzes.

•Coma cereais integrais e vegetais diariamente e não vá para a cama com o estômago cheio.

•Antes de se deitar mergulhe os pés em água quente salgada e massaje-os bem.

•Evite televisão e outros aparelhos eléctricos no quarto de dormir.


Espero que as sugestões sejam úteis e lhe proporcionem uns bons sonhos.


por Francisco Varatojo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Coração e energia Fogo





O Coração e o Intestino Delgado (assim como as funções denominadas Governador do Coração e Triplo Aquecedor) pertencem, em medicina oriental, à categoria energética denominada de Fogo.
Fogo representa um arquétipo energético quente, dinâmico, expansivo, "plásmico", e em especial o Coração possui estes mesmos atributos. No artigo sobre o fígado referi que este era o General; o Coração é considerado o Monarca pela capacidade que tem de reger todo o organismo e pelo seu funcionamento e comportamento serem indispensáveis pelo bem estar geral.

Para os Orientais, quando o Coração (e o Intestino Delgado funcionam bem) somos alegremente calmos, temos sentido de ritmo, empatia e sabemos demonstrar emoções calorosas e amor. Basicamente, somos possuídos de um fogo interno que nos torna calorosos e empáticos, sem no entanto sermos exagerados ou demasiado superficiais (na realidade, sintomas de problemas em Fogo.
Interessantemente, nos países ocidentais (Portugal incluído), a principal de morte são as doenças cardiovasculares que estão intimamente ligadas ao estilo de vida e aos hábitos alimentares. Um número enorme de estudos é conclusivo quanto à influência da alimentação nas doenças cardíacas e as principais associações mundiais para a prevenção de problemas cardiovasculares têm recomendações alimentares precisas para estes problemas.

No entanto, muitas destas recomendações apesar de serem melhores do que a alimentação vulgar dos cidadãos, não são ainda assim as mais acertadas, porque são filtradas por grupos de pressão políticos que visam proteger a indústria alimentar moderna. Walter Willet, um dos mais conceituados nutricionistas mundiais, professor em Harvard e autor dum livro recentemente publicado "Eat, Drink and be Healthy", escreve que as prescrições alimentares modernas como a pirâmide alimentar aprovada pelo Ministério de Agricultura americano em 1992, protegem mais a indústria alimentar do que propriamente a saúde pública, nomeadamente a saúde cardíaca.

Em estudos como o Framingham Heart Study (o maior estudo sobre doenças cardiovasculares até hoje realizado), chega-se à conclusão que a melhor regime alimentar é aquele que é baseado em cereais integrais, vegetais, feijões, etc., um tipo de alimentação muito semelhante àquilo que se chama a alimentação macrobiótica.

Num estudo inovador realizado recentemente nos Estados Unidos e denominado DASH (sigla de Dietary Approaches to Stop Hypertension - Abordagens Alimentares para Erradicar a Hipertensão, em português) descobriu-se que pessoas hipertensas que seguem as recomendações alimentares da Associação Americana para a Hipertensão não têm melhoras significativas, aquelas que seguem um regime vegetariano melhoram um pouco, e aquelas que seguem um regime macrobiótico melhoram imenso.

Voltando à medicina oriental e ao coração, os alimentos que mais contribuem para os problemas em Fogo, são aqueles que criam (simbolicamente) mais fogo, uma energia mais quente, expansiva e caótica: Produtos animais com gordura saturada (leia-se carne e lacticínios), álcool, comida excessivamente picante; cafeína e nicotina pela influência directa que têm sobre o sistema nervoso acentuam mais ainda estes distúrbios.

Um estilo de vida demasiado frenético e desregrado está intimamente ligado a problemas em Fogo, pelo que uma parte essencial da terapia consiste também em aprender a acalmar e a ter um estilo de vida menos extremo.

Na próxima semana recomendações para tratar desiquilibrios de Fogo

por Francisco Varatojo